Aprender e produzir
Aprender e produzir: são os dois pilares do trabalho humano, sem os quais o trabalho se torna incompleto. Aprender pode ser entendida como a etapa na qual entendemos o que iremos produzir e de quê forma, e produzir é a etapa na qual efetivamente aplicamos aquele conhecimento transformando-o em uma matéria visível.
Pode parecer simples na teoria, mas na prática eu vejo que é frequentemente o motivo de muita perturbação. Pois é comum vermos pessoas que faltam com um desses princípios, e assim sentem-se incompletas. Tomemos como exemplo um estudante que, após meses ou anos de estudos puramente teóricos, mas ainda se vendo não tendo produzido nada, começa a duvidar da sua escolha de carreira: não só a existência dessa dúvida em si será motivo de perturbação, mas esse estudante nem sequer tem os devidos meios para conseguir responder a essa dúvida. Pois de fato ele ainda não viveu aquela carreira como um profissional daquela área vive: ele não conhece todas as etapas do processo.
Assim, se tentarmos produzir sem antes aprender aquele ofício, cometeremos muitos erros. Similarmente, se tentamos aprender mas nunca produzimos, nosso envolvimento no processo como um todo foi limitado e seremos como o exemplo acima. Evidentemente, em alguns casos, as etapas podem se misturar de formas menos previsíveis: pois há empregos nos quais os erros são mais toléraveis, e assim tentar executar o serviço sem antes passar pela teoria e, observando os erros, tentar repetir o processo até que os erros não mais existam pode substituir a etapa de aprendizagem (na verdade se tornando uma forma diferente de aprendizagem).
A produção é, inclusive, parte da resposta do porquê o trabalho não é apenas uma mera forma de ganhar dinheiro, mas parte fundamental daquilo que nos constitui. O ser humano foi criado para servir, e essa servidão se deve dar de forma voluntária e sem nenhuma pretensão gananciosa, e parte do motivo é exatamente esse: quando servimos (trabalhamos) de forma completa, produzimos. E quando produzimos, vendo a matéria visível que criamos (seja alguma forma de trabalho intelectual, um serviço manual, etc.), também entendemos mais sobre o mundo. Mas entendemos de uma forma mais curiosa, mais impressionada e mais feliz, porque entendemos por meio de algo que nós mesmos criamos. E não só entendemos, mas também nos relacionamos mais intimamente com essas criações.
Assim, é desejável que os dois pilares sempre andem juntos: uma pessoa que lê muito também deve escrever; uma pessoa que se exercita também deve realizar trabalhos manuais, e assim por diante. Para que o trabalho seja genuinamente completo, a sua produção não deve ser negligenciada.