Tempo
Quando temos muitas opções do quê fazer, e em especial quando estamos animados com mais de uma coisa ao mesmo tempo, temos a tendência de querer fazer tudo se encaixar dentro do tempo que temos. E às vezes isso pode ser motivo para grande perturbação, pois nem sempre o conseguimos ou nem sempre é perfeitamente viável quando duas atividades podem ser contrárias umas às outras (por exemplo, uma atividade que exige grande nível de concentração pode ser difícil de ser realizada após uma atividade que estimula demais a sua mente).
Eu acho útil relembrar, no entanto, que o tempo não serve às atividades mas as atividades servem ao tempo. De nada adianta que façamos mil coisas no mesmo dia, mas ao fazê-los negligenciamos o básico: o bem-estar físico, mental e espiritual. Pois, no fim das contas, o bem-estar (nosso e daqueles que estão ao nosso redor) é o que genuinamente importa. Assim, não devemos nos perturbar porque não conseguimos fazer tudo aquilo que planejamos no dia; em vez disso, devemos nos alegrar porque fizemos o que era possível com as 24 horas que nos são dadas, e isso é tudo que é exigido de nós.
Alguns podem argumentar que, às vezes, sacrificar um pouco do bem-estar agora é justificável para que se tenha um bem-estar maior no futuro. Não nego que isso pode genuinamente ser verdade às vezes, mas, também me parece que em muitos casos é um argumento exagerado. Em muitos casos, está se sacrificando o bem-estar de agora porque o bem-estar do futuro exige uma carga maior do que aquela que a pessoa é capaz de suportar, e assim ela precisa sacrificar o bem-estar de agora para construir as fundações para essa carga que virá. Às vezes teria sido mais fácil se ela apenas tivesse aceitado as condições e circunstâncias que lhe foram dadas.