Em meus textos anteriores “a priori” e “a priori p2” eu argumentei como, em muitos casos, é desejável que façamos uma atividade que definimos anteriormente mesmo que ela se prove não ser perfeitamente adequada à circunstância atual. No entanto, isso não muda o fato que é também desejável que façamos o nosso melhor para definir boas atividades, e é um pouco disso que explorarei nesse texto.

Em primeiro lugar, é necessário que sempre haja uma “atividade em andamento”. De fato, mesmo quando decidimos descansar, isso também é algo: deve ser uma decisão consciente de descansar. Quando não temos uma “atividade em andamento”, caímos no campo das distrações: eis aí o momento em que começamos a fazer coisas cegamente apenas para drenar nosso tempo (exemplos comuns hoje em dia incluem jogos e “doom scrolling”). O problema que faz esse ponto ser tão difícil é que ele bate de frente com a nossa má vontade, e tomemos como exemplo o descanso: em um primeiro momento, é fácil descansar; mas eventualmente nossa mente se inquietará (pois não fomos feitos para descansar o dia inteiro) e decidiremos que estamos prontos para fazer outra coisa. A dificuldade aqui é que, se estamos de má vontade (e quase sempre o estamos! A boa vontade geralmente vem após a atividade iniciar, pois após ela iniciar é que adquirimos o “momentum” para continuá-la e começamos a observar os frutos que ela produz em nossas vidas), iremos arranjar todo tipo de desculpa para evitar as primeiras atividades que vêm à nossa mente: não faremos aquele trabalho que está pendente, nem iremos ler aquele livro que começamos, nem iremos fazer aquela caminhada que nos propusemos. Assim, que tipo de atividade sobra para escolher? Sobra justamente aquelas que gastam pouco esforço, como o próprio descanso; mas, como já descansamos, iremos usar a desculpa de que iremos descansar um pouco mais, mas na verdade estamos tornando esse descanso em uma distração.

Além disso, outro ponto é que é sempre bom que a atividade de alguma forma exercite algum tipo de virtude. Pode ser algum tipo de servidão voluntária às outras pessoas ou a nós mesmos, em especial física, mental e espiritualmente. Na falta de opções claras, as escolhas padrão para cada uma dessas três categorias, respectivamente, devem ser: algum tipo de trabalho manual qualquer (se nem isso for possível, substituir por uma caminhada), alguma leitura, e alguma oração.

E em terceiro, é desejável que a atividade de alguma forma constitua um hábito. Portanto, é preferível que escolha atividades mais ou menos consistentes ao longo dos dias. Iniciar algo completamente novo pode ser bom às vezes (e de fato é aí que está boa parte da beleza da vida: explorar coisas que ainda não conhecemos), mas deve ser feito com o cuidado de não estar fazendo isso com o intuito de fugir de bons hábitos. Pois o amor pela novidade eventualmente se expira (e isso vale para qualquer assunto), mas os hábitos permanecem.